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	<title>construtora - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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	<description>Direito civil, familiar, trabalhista e consumidor.</description>
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	<title>construtora - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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		<title>Construtora atrasou a entrega do imóvel: posso cancelar a compra e receber meu dinheiro de volta?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victor Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 19:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[atraso na entrega do imóvel]]></category>
		<category><![CDATA[construtora]]></category>
		<category><![CDATA[imóvel na planta]]></category>
		<category><![CDATA[rescisão contratual]]></category>
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					<description><![CDATA[A construtora ultrapassou o prazo para entregar seu imóvel? Entenda quando o comprador pode cancelar a compra por culpa da incorporadora, exigir a devolução dos valores pagos ou permanecer no contrato e discutir indenização pelo atraso.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Comprar um imóvel na planta normalmente envolve planejamento de anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comprador paga entrada, parcelas, eventualmente contrai financiamento e organiza sua vida considerando uma data prevista para receber as chaves. Muitas vezes, também precisa continuar pagando aluguel enquanto aguarda a conclusão da obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, quando a entrega começa a ser sucessivamente adiada, surge uma dúvida importante:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>sou obrigado a continuar esperando ou posso cancelar a compra e exigir meu dinheiro de volta?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o atraso ultrapassa o prazo permitido pelo contrato e pela legislação, o comprador pode, em determinadas situações, pedir o encerramento do contrato por culpa da construtora e a <strong>devolução integral dos valores pagos, devidamente corrigidos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E existe uma diferença muito importante: isso não é a mesma coisa que simplesmente desistir da compra.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Primeiro: confira a verdadeira data de entrega do imóvel</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É comum o contrato apresentar uma data prevista para conclusão da obra e, logo depois, prever um chamado <strong>prazo de tolerância</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei de Incorporações admite uma tolerância de até 180 dias corridos, desde que ela tenha sido expressamente prevista no contrato, de forma clara e destacada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine, por exemplo, que a entrega esteja prevista para janeiro de 2026 e o contrato contenha validamente uma tolerância de 180 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, não basta chegar fevereiro para afirmar que a construtora está juridicamente em atraso. É preciso considerar também o período de tolerância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a tolerância não é um prazo indefinido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de ultrapassada a data contratual <strong>mais o período de tolerância aplicável</strong>, a situação muda significativamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Passados os 180 dias, posso cancelar a compra?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se a entrega ultrapassar o prazo contratual acrescido da tolerância válida e o comprador não tiver dado causa ao atraso, a Lei de Incorporações permite que ele peça a resolução do contrato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa hipótese, o art. 43-A prevê a <strong>devolução integral dos valores pagos, devidamente corrigidos, além da multa aplicável</strong>, no prazo de até 60 dias corridos contados da resolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto é especialmente importante porque muitas construtoras apresentam ao comprador uma proposta de “distrato” com retenções significativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é preciso identificar <strong>quem está dando causa ao fim do contrato</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o comprador simplesmente mudou de ideia e não quer mais o imóvel, existe uma situação jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se ele quer sair porque a construtora descumpriu o prazo de entrega, existe outra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências financeiras não são necessariamente as mesmas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Não confunda atraso da construtora com desistência do comprador</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa distinção pode representar uma diferença expressiva no valor a receber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o próprio comprador decide abandonar um contrato que estava sendo regularmente cumprido pela incorporadora, a legislação admite, em determinadas condições, descontos e retenções sobre os valores pagos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas quando a resolução ocorre porque <strong>a construtora não entregou o imóvel dentro do prazo</strong>, o comprador não está simplesmente desistindo do negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele está reagindo ao descumprimento da outra parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, antes de aceitar uma proposta de distrato, é importante verificar como o documento está sendo apresentado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assinar um termo tratando a situação como simples desistência pode gerar discussão sobre descontos que talvez não fossem aplicáveis caso o contrato tivesse sido encerrado por culpa da incorporadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">E se eu ainda quiser receber o apartamento?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O comprador não precisa necessariamente cancelar a compra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele pode preferir continuar com o contrato e aguardar a entrega.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contratos submetidos à disciplina atual da Lei de Incorporações, quando a entrega ultrapassa o prazo contratual acrescido da tolerância válida e o comprador <strong>permanece no negócio e está adimplente</strong>, a lei prevê, por ocasião da entrega da unidade, indenização de <strong>1% do valor efetivamente pago à incorporadora para cada mês de atraso</strong>, calculada proporcionalmente aos dias e com correção monetária conforme o índice contratual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, diante do atraso, existem dois caminhos bastante diferentes:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>continuar com a compra e discutir as consequências da demora</strong> ou <strong>encerrar o contrato por inadimplemento da construtora e buscar a restituição dos valores pagos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria lei estabelece que a indenização pelo atraso prevista para quem permanece no contrato não pode ser simplesmente cumulada com a multa prevista para a hipótese de resolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a escolha deve ser feita depois de analisar o contrato e o impacto financeiro de cada alternativa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A construtora pode simplesmente alegar que a obra atrasou?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nem toda justificativa apresentada pela incorporadora transfere automaticamente o risco ao comprador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Problemas normais de planejamento da obra, fornecedores, contratação de mão de obra ou dificuldades inerentes à atividade empresarial não significam, por si só, que o consumidor tenha de suportar indefinidamente o atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A data prometida para entrega é uma das informações centrais da compra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, uma comunicação genérica informando que houve “necessidade de reprogramação do cronograma” não significa automaticamente que o comprador concordou com uma nova data ou abriu mão dos direitos decorrentes do atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário analisar a causa apresentada, o contrato e as circunstâncias concretas da obra.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A multa prevista no contrato vale também contra a construtora?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é outro ponto que merece atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há contratos extremamente rigorosos com o comprador: estabelecem juros, multas e diversas consequências caso ele atrase uma parcela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, especialmente em contratos mais antigos, era comum não existir penalidade equivalente para o atraso da própria construtora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Superior Tribunal de Justiça enfrentou essa situação no <strong>Tema 971</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contratos de adesão analisados naquele julgamento, anteriores à disciplina introduzida pela Lei nº 13.786/2018, o STJ firmou o entendimento de que, havendo cláusula penal prevista apenas para o inadimplemento do comprador, ela deve ser considerada como parâmetro para fixar a indenização pelo inadimplemento da construtora. Quando as obrigações forem diferentes, a equivalência econômica deve ser realizada por arbitramento judicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa simplesmente copiar o percentual da multa e aplicá-lo automaticamente contra a construtora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contratos atuais, a análise deve considerar prioritariamente as regras específicas introduzidas pela Lei nº 13.786/2018, especialmente o art. 43-A da Lei de Incorporações.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Posso receber alguma indenização além da devolução?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Dependendo da situação, podem existir outros prejuízos decorrentes do atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um comprador que permaneceu por meses pagando aluguel enquanto aguardava um imóvel que deveria ter sido entregue, por exemplo, pode ter sofrido um impacto financeiro concreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também podem existir despesas adicionais ou outras consequências diretamente relacionadas à demora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa parte, porém, exige uma análise individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A possibilidade de acumular multa contratual, indenização pelo atraso, lucros cessantes ou outros prejuízos depende da data do contrato, das cláusulas existentes, do regime jurídico aplicável e da natureza de cada verba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio STJ, no Tema 970, estabeleceu que uma cláusula penal moratória que já tenha função de indenizar o atraso, quando fixada em valor equivalente ao locativo, em regra afasta sua cumulação com lucros cessantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, não é recomendável simplesmente somar todas as penalidades possíveis. O cálculo precisa ser feito de acordo com o contrato concreto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O valor devolvido deve ser corrigido?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a resolução decorre do atraso tratado pelo art. 43-A, a própria legislação determina que os valores sejam restituídos com atualização monetária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, antes de aceitar uma proposta, é importante conferir não apenas o percentual que a empresa afirma que devolverá, mas também <strong>qual valor está sendo utilizado como base, qual atualização foi aplicada e quais descontos estão sendo realizados</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma diferença aparentemente pequena na forma de cálculo pode representar milhares de reais em contratos de maior valor.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que fazer quando a obra já está atrasada?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo é reunir toda a documentação da compra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O contrato e o quadro-resumo são essenciais porque indicam a data prometida, eventual período de tolerância, multas e regras para o encerramento do negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante guardar comprovantes dos valores pagos e todas as comunicações da construtora sobre adiamentos ou novas previsões de entrega.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de assinar um distrato ou aceitar uma proposta de restituição, vale calcular exatamente quanto foi pago e quais consequências o próprio contrato e a legislação estabelecem para o atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos casos, uma notificação extrajudicial pode ser utilizada para formalizar a posição do comprador e tentar solucionar a questão antes de um processo judicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se não houver resposta adequada, a resolução do contrato e a restituição dos valores podem ser discutidas judicialmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O comprador de um imóvel na planta <strong>não é obrigado a esperar indefinidamente pela entrega</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a construtora ultrapassa o prazo contratual e o período de tolerância aplicável, o comprador pode ter o direito de encerrar o contrato por culpa da incorporadora e buscar a <strong>restituição integral e corrigida dos valores pagos, além das demais consequências cabíveis</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é possível optar pela manutenção da compra e, preenchidos os requisitos legais, exigir a indenização correspondente ao período de atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal cautela é não tratar automaticamente o caso como uma simples “desistência do imóvel”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de assinar um distrato, aceitar retenções ou concordar com uma nova previsão de entrega, é importante identificar <strong>quem efetivamente descumpriu o contrato e quais são as consequências financeiras desse descumprimento</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Cury &amp; Costa Advogados</strong> atua na análise de contratos imobiliários, atrasos na entrega de imóveis, notificações extrajudiciais e ações envolvendo restituição de valores e descumprimento por construtoras e incorporadoras.</p>
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