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	<title>direito bancário - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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	<description>Direito civil, familiar, trabalhista e consumidor.</description>
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	<title>direito bancário - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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		<title>Golpe do falso advogado: o banco pode ser responsabilizado pelo prejuízo?</title>
		<link>https://curycosta.adv.br/golpe-falso-advogado-banco-responsabilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 15:14:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
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					<description><![CDATA[Golpe do falso advogado, criminosos utilizam dados reais de processos e se passam por advogados para solicitar pagamentos via Pix. Entenda quando o banco pode ser responsabilizado, como funciona o MED e quais providências devem ser adotadas após o golpe.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O chamado <strong>golpe do falso advogado</strong> tornou-se uma das fraudes digitais mais recorrentes envolvendo pessoas que possuem processos judiciais em andamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O criminoso entra em contato com a vítima se passando por seu advogado ou por integrante do escritório. Para tornar a abordagem convincente, utiliza informações verdadeiras: nome das partes, número do processo, andamento judicial, fotografia do profissional e até documentos com aparência oficial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, informa que existe um valor a ser liberado e exige o pagamento de uma suposta taxa, imposto, custo processual ou outra despesa, normalmente por <strong>Pix</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sofisticação do golpe é tamanha que a OAB São Paulo já registrou milhares de denúncias e mantém uma força-tarefa específica para enfrentá-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a vítima percebe a fraude, surge uma das principais dúvidas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>se fui eu quem realizou o Pix, ainda é possível responsabilizar o banco?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta depende das circunstâncias do caso.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como funciona o golpe do falso advogado?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Normalmente, o criminoso não escolhe uma vítima ao acaso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele já conhece a existência de um processo verdadeiro e utiliza essas informações para criar credibilidade. A OAB alerta que fraudadores chegam a utilizar nome, fotografia e dados processuais reais do advogado, além de informar falsamente que houve vitória na ação ou liberação de valores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois, cria-se uma situação de urgência:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“é necessário pagar a taxa agora”;<br>“o alvará será liberado hoje”;<br>“é preciso recolher o imposto antes do recebimento”;<br>“sem o pagamento, o valor ficará bloqueado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vítima acredita estar tratando com seu próprio advogado e realiza a transferência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só depois descobre que o profissional verdadeiro nunca solicitou aquele pagamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O banco sempre precisa devolver o valor?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato de ter ocorrido um golpe não significa automaticamente que a instituição financeira deverá indenizar a vítima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado de que instituições financeiras respondem objetivamente por danos decorrentes de fraudes relacionadas ao risco de sua própria atividade bancária, conforme a Súmula 479.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso, porém, não significa responsabilidade automática em qualquer fraude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em decisão de julho de 2026 envolvendo outro tipo de engenharia social, o chamado golpe da falsa central, o STJ reforçou que é necessário identificar alguma <strong>falha na prestação do serviço bancário</strong>, como ausência de mecanismos adequados de segurança ou não identificação de operações incompatíveis com o perfil do cliente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mesma lógica é relevante na análise do golpe do falso advogado.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O fato de a vítima ter feito o Pix voluntariamente encerra a discussão?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Também não necessariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um dos pontos mais importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos desses golpes, a vítima realmente acessa sua própria conta, digita a senha e autoriza a transferência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso pode dificultar uma ação contra o banco quando não existe qualquer outra falha na prestação do serviço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há decisões judiciais recentes afastando a responsabilidade bancária exatamente porque o cliente realizou voluntariamente o Pix e não foi identificada falha nos sistemas ou mecanismos de segurança da instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas cada situação precisa ser analisada individualmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O simples fato de o consumidor ter confirmado a operação <strong>não elimina automaticamente outras obrigações de segurança da instituição financeira</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, pode ser relevante verificar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>se o valor transferido era muito superior ao padrão habitual da conta;</li>



<li>se ocorreram diversas transferências em sequência;</li>



<li>se os destinatários eram completamente novos;</li>



<li>se houve contratação de empréstimo imediatamente antes do Pix;</li>



<li>se houve alguma alteração incomum no comportamento financeiro do cliente;</li>



<li>se existiam sinais ou registros de fraude associados à conta destinatária;</li>



<li>quais mecanismos de prevenção e autenticação foram utilizados;</li>



<li>e, principalmente, qual foi a reação do banco depois que a fraude foi comunicada.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a análise não termina na pergunta “quem apertou o botão para fazer o Pix?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário entender <strong>todo o contexto da operação</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que é o MED e por que ele é tão importante?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Mecanismo Especial de Devolução (MED)</strong> foi criado pelo Banco Central especificamente para aumentar as possibilidades de recuperação de valores transferidos por Pix em situações de fraude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a vítima comunica o golpe à sua instituição financeira, o banco deve iniciar os procedimentos previstos para análise da fraude e tentativa de bloqueio dos recursos na instituição que recebeu o dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Banco Central orienta que a vítima entre em contato com sua instituição <strong>o mais rapidamente possível</strong>. A contestação pode ser realizada dentro do prazo regulamentar de até 80 dias, mas quanto maior a demora, menor pode ser a possibilidade prática de encontrar recursos ainda disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MED <strong>não garante a restituição</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o dinheiro já tiver sido retirado ou transferido para outras contas, por exemplo, a recuperação poderá ser apenas parcial ou sequer ocorrer pelo mecanismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a instituição financeira não pode simplesmente ignorar uma comunicação de fraude.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Banco já foi condenado por não acionar o MED em golpe do falso advogado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto é particularmente relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em abril de 2026, a 2ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Paraná analisou exatamente um caso de <strong>golpe do falso advogado</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vítima havia realizado um Pix de R$ 2.992,12 após ser enganada. Assim que percebeu a fraude, procurou seu banco e tentou solicitar a abertura do MED.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a decisão, apesar das tentativas da cliente, a instituição não iniciou adequadamente o procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tribunal manteve a condenação ao ressarcimento, entendendo que a responsabilidade do banco não decorria simplesmente da fraude original, mas da <strong>omissão posterior em utilizar os mecanismos existentes para tentar reduzir o prejuízo da cliente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma distinção importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banco pode não ter causado o golpe, mas sua atuação <strong>depois de comunicado</strong> também pode ser juridicamente relevante.</p>



<h2 class="wp-block-heading">E o banco que recebeu o dinheiro?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto que pode merecer investigação é a instituição na qual foi aberta a conta utilizada pelo golpista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum que valores provenientes de fraudes sejam enviados para contas de terceiros ou contas utilizadas especificamente para receber recursos de atividades ilícitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que o banco recebedor seja automaticamente responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O STJ já decidiu que, mesmo em contas digitais, a responsabilização depende da demonstração de que a instituição deixou de cumprir os deveres adequados de verificação da identidade e qualificação do titular da conta ou outros controles necessários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, dependendo do caso, pode ser importante investigar:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>como aquela conta foi aberta, quem era seu titular, qual era seu padrão de movimentação e se já existiam indícios de utilização fraudulenta.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão pode, assim, envolver não apenas o banco da vítima, mas também a instituição que recebeu os recursos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Caiu no golpe: o que fazer imediatamente?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A velocidade da reação pode fazer diferença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira providência deve ser entrar imediatamente em contato com o banco, <strong>informar expressamente que se trata de fraude e solicitar a contestação da operação pelo MED</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Banco Central informa que, após a comunicação, a instituição da vítima registra a ocorrência no sistema, e os bancos envolvidos passam a analisar o caso e a possibilidade de bloqueio e devolução dos recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é recomendável:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>registrar boletim de ocorrência;</li>



<li>guardar os comprovantes dos Pix;</li>



<li>preservar toda a conversa com o golpista;</li>



<li>salvar número de telefone, perfil, fotografias e documentos enviados;</li>



<li>guardar os protocolos de atendimento do banco;</li>



<li>comunicar imediatamente o advogado verdadeiro;</li>



<li>não apagar mensagens;</li>



<li>e registrar a ocorrência nos canais disponibilizados pela OAB.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A OAB Nacional também disponibiliza o <strong>ConfirmADV</strong>, ferramenta criada para ajudar na verificação da identidade de advogados.</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Meu banco negou o MED. Acabou?”</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não necessariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negativa administrativa significa apenas que <strong>não houve recuperação pela via bancária naquele momento</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dependendo das circunstâncias, ainda pode ser necessário analisar judicialmente se houve falha na atuação da instituição financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso exige avaliar documentos concretos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre eles:</p>



<p class="wp-block-paragraph">extratos anteriores, valores transferidos, comportamento habitual da conta, destinatários, horários das transações, alertas apresentados pelo aplicativo, protocolos de atendimento, resposta ao MED e informações disponíveis sobre a conta que recebeu os recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justamente essa prova que permite diferenciar um golpe praticado exclusivamente por terceiro de uma fraude na qual também existiu alguma falha relevante na prestação do serviço bancário.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Existe dano moral?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Também não é automático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recuperação do valor perdido e eventual indenização por dano moral são questões distintas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tribunais analisam as circunstâncias concretas: valor envolvido, conduta da instituição, consequências suportadas pela vítima, eventual negativação, contratação fraudulenta de crédito, demora na solução do problema e outros fatores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, afirmar genericamente que qualquer golpe gera indenização moral pode criar uma expectativa incorreta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como evitar o golpe?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A principal cautela é simples:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>recebeu uma mensagem de um advogado por um número diferente pedindo dinheiro? Não pague antes de confirmar diretamente com o profissional pelos canais que você já conhecia.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato de a pessoa saber o número do processo, nome do advogado, valor da ação ou movimentações judiciais <strong>não comprova que ela represente o escritório</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas informações podem ser obtidas de processos e utilizadas para tornar a fraude extremamente convincente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante desconfiar de pedidos de pagamento imediato para “liberação” de indenização, precatório, alvará, acordo ou qualquer outro crédito judicial.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O golpe do falso advogado explora justamente uma relação de confiança: criminosos utilizam informações verdadeiras para convencer a vítima de que está conversando com o profissional que já conduz seu processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando ocorre uma transferência, <strong>a responsabilidade do banco não é automática</strong>, mas também não deve ser descartada apenas porque a própria vítima confirmou o Pix.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário analisar se houve movimentação atípica, falha nos mecanismos de segurança, irregularidades relacionadas à conta que recebeu os recursos e, especialmente, se as instituições financeiras adotaram as providências necessárias depois da comunicação da fraude.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quanto mais rápida for a reação da vítima e melhor estiver documentado o ocorrido, maiores serão as possibilidades de tentar recuperar os valores e avaliar eventual responsabilidade das instituições envolvidas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Cury &amp; Costa Advogados</strong> atua em demandas envolvendo fraudes bancárias, golpes via Pix, responsabilidade de instituições financeiras e recuperação de prejuízos decorrentes de operações fraudulentas.</p>
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