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	<title>responsabilidade do banco - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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	<description>Direito civil, familiar, trabalhista e consumidor.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 06 Aug 2026 16:42:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>responsabilidade do banco - CURY &amp; COSTA | ADVOGADOS</title>
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		<title>Fui vítima de golpe bancário: o banco deve devolver o dinheiro?</title>
		<link>https://curycosta.adv.br/fui-vitima-de-golpe-bancario-o-banco-deve-devolver-o-dinheiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 16:42:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[fraude no Pix]]></category>
		<category><![CDATA[golpe bancário]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade do banco]]></category>
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					<description><![CDATA[Golpes por Pix, falso advogado, falsa central e troca de cartão podem causar prejuízos elevados. Entenda quando o banco pode ser responsabilizado e quais providências devem ser tomadas imediatamente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Golpes bancários podem acontecer de diversas formas: falso advogado, falsa central de atendimento, troca de cartão, Pix para uma conta fraudulenta, compras não reconhecidas ou contratação indevida de empréstimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o método utilizado pelos criminosos varie, muitos desses casos apresentam uma característica em comum: <strong>as movimentações realizadas durante o golpe são completamente diferentes do padrão habitual do cliente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pessoa que normalmente utiliza a conta para pagamentos cotidianos pode, em poucas horas, ter o limite aumentado, contratar um empréstimo, resgatar investimentos e realizar diversas transferências para destinatários desconhecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando isso acontece, a discussão não deve se limitar ao fato de a senha ter sido utilizada ou de a vítima ter confirmado uma operação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal pergunta é outra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O banco deveria ter identificado que aquelas movimentações eram incompatíveis com o comportamento normal do cliente?</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos casos, a resposta pode ser positiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O padrão de movimentação da conta é um dos principais fatores</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os bancos possuem informações detalhadas sobre a forma como cada cliente utiliza sua conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A instituição conhece os valores normalmente movimentados, os horários mais frequentes, os destinatários habituais, os dispositivos utilizados e o tipo de operação realizada ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, uma sequência muito diferente desse histórico pode indicar que existe uma fraude em andamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns sinais são especialmente relevantes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>transferências muito superiores aos valores habituais;</li>



<li>diversas operações realizadas em poucos minutos;</li>



<li>envio de dinheiro para destinatários desconhecidos;</li>



<li>contratação de empréstimo seguida de transferência;</li>



<li>resgate repentino de investimentos;</li>



<li>aumento de limite imediatamente antes das operações;</li>



<li>compras realizadas em locais ou horários incomuns.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu que as instituições financeiras devem possuir mecanismos capazes de identificar e impedir operações que destoem do perfil do consumidor. No julgamento, o tribunal destacou justamente a ocorrência de várias operações em sequência, em curto intervalo e com valores elevados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, não se trata apenas de dizer que a vítima “caiu em um golpe”. É possível analisar objetivamente o extrato e comparar as operações fraudulentas com o comportamento anterior da conta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Digitar a senha não transfere automaticamente todo o prejuízo à vítima</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É comum que o banco negue a contestação com uma resposta padronizada:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A transação foi realizada com senha e em dispositivo autorizado.”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esse argumento, isoladamente, não resolve a questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos golpes de engenharia social, os criminosos manipulam a vítima para que ela forneça informações, confirme operações ou siga instruções apresentadas como medidas de segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo quando existe uma confirmação feita pelo cliente, o banco continua responsável por manter mecanismos que analisem o contexto da operação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine alguém que nunca contratou crédito pelo aplicativo e, em poucos minutos, contrata um empréstimo elevado, transfere o dinheiro para uma conta desconhecida e ainda realiza outras operações seguidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso correto da senha não torna essa movimentação normal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança bancária não pode funcionar apenas como uma conferência de credenciais. Ela também precisa considerar o valor, o horário, a frequência, a sequência e a compatibilidade das operações com o histórico do cliente. Esse dever de prevenção foi expressamente reconhecido pelo STJ.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em decisão de 2025, o tribunal também afastou a alegação de culpa concorrente do consumidor em situação na qual a falha do sistema de segurança bancária contribuiu para o golpe.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como isso aparece no golpe do falso advogado?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No golpe do falso advogado, o criminoso normalmente utiliza informações verdadeiras sobre um processo e se apresenta como advogado, funcionário do escritório ou representante do Judiciário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vítima é informada de que existe um valor a receber, mas que precisa pagar uma taxa, imposto ou despesa para liberá-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns casos, são feitos vários Pix ou pagamentos sucessivos. Também pode ocorrer contratação de empréstimo, resgate de aplicação ou utilização de praticamente todo o saldo disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para analisar a responsabilidade do banco, é importante observar se essas operações eram habituais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma sequência de pagamentos elevados, para beneficiários recém-cadastrados e realizados em curto espaço de tempo pode ser incompatível com o perfil bancário da vítima, especialmente quando se trata de pessoa idosa ou cliente que normalmente realiza movimentações de valor muito inferior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nome do golpe ajuda a compreender o ocorrido, mas o que fortalece a cobrança é a demonstração documental de que o banco permitiu operações anormais sem uma resposta de segurança proporcional.</p>



<h2 class="wp-block-heading">E nos golpes por Pix?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O fato de o Pix ter sido realizado pela própria vítima também não elimina automaticamente a responsabilidade bancária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise deve considerar o contexto completo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um único Pix de valor semelhante às operações habituais pode apresentar uma situação mais difícil. Por outro lado, uma sequência de transferências elevadas, feitas em poucos minutos para contas desconhecidas, pode demonstrar um padrão claramente atípico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contratação de empréstimo durante o golpe é especialmente relevante. Em muitos casos, o criminoso não retira apenas o saldo existente: ele induz a vítima a contratar crédito e transfere imediatamente o dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa situação, a instituição não analisa apenas uma transferência. Ela autoriza uma sucessão de operações relacionadas: contratação de crédito, liberação dos valores e envio para terceiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto mais distante essa sequência estiver do histórico normal da conta, mais consistente tende a ser o argumento de que os mecanismos de segurança não funcionaram adequadamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Troca de cartão e compras fora do padrão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No golpe da troca de cartão, o criminoso fica com o cartão verdadeiro da vítima e pode utilizar a senha observada durante uma compra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois disso, são realizadas compras, saques ou pagamentos até que o cliente perceba a substituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez, o perfil de utilização é importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a vítima normalmente realiza pequenas compras próximas de sua residência e, logo após a troca, surgem várias transações de valor elevado, em estabelecimentos diferentes e em curto período, existe uma alteração evidente no comportamento da conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banco precisa explicar por que operações sucessivas e incomuns foram autorizadas sem bloqueio ou verificação adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato de o cartão físico e a senha terem sido utilizados é relevante, mas não apaga a obrigação de o sistema identificar um comportamento potencialmente fraudulento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A jurisprudência confirma a importância do perfil do cliente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade dos bancos por fraudes relacionadas à própria atividade financeira é reconhecida pela Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça. Segundo esse entendimento, as instituições respondem objetivamente pelos danos decorrentes de fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito das operações bancárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que toda vítima de golpe receberá automaticamente o dinheiro de volta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, significa que o banco não pode afastar sua responsabilidade apenas afirmando que o crime foi praticado por um terceiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise deve verificar se houve falha no serviço, principalmente na identificação e no bloqueio de transações suspeitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma decisão divulgada pelo STJ em julho de 2026 afastou a responsabilidade do banco em um caso no qual as instâncias anteriores concluíram que não havia transações incompatíveis com o perfil da cliente. Longe de diminuir a importância desse argumento, a decisão confirma que a compatibilidade, ou incompatibilidade, das operações com o histórico da conta é um dos elementos centrais da análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outras palavras: <strong>quando existe movimentação atípica bem demonstrada, o caso possui um fundamento concreto que vai além do simples relato do golpe.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Como demonstrar que as movimentações eram atípicas?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O extrato do dia da fraude é importante, mas não deve ser analisado isoladamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para demonstrar a mudança de padrão, é recomendável comparar as operações do golpe com os meses anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, a vítima pode mostrar que normalmente realizava Pix de algumas centenas de reais, mas, no dia da fraude, foram transferidos milhares de reais em poucas horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também pode demonstrar que nunca havia contratado empréstimos pelo aplicativo, feito resgates elevados ou enviado dinheiro para aqueles destinatários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa comparação transforma uma afirmação genérica, “as operações eram estranhas”, em um argumento verificável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais documentos são o extrato completo, os comprovantes das operações, os contratos de empréstimo, os protocolos de atendimento, a resposta do banco e as conversas mantidas com os golpistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante guardar eventuais mensagens de alerta enviadas pela instituição. Caso não tenha existido qualquer aviso ou confirmação adicional, essa ausência também pode ser relevante.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O banco que recebeu o dinheiro pode ser responsabilizado?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Dependendo das circunstâncias, a análise também pode alcançar a instituição que manteve a conta utilizada pelos criminosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contas fraudulentas não surgem fora do sistema bancário. Elas são abertas, cadastradas e movimentadas dentro de instituições financeiras ou de pagamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para responsabilizar o banco recebedor, normalmente é necessário demonstrar falha na abertura, na manutenção ou no monitoramento da conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podem ser relevantes o curto período entre a abertura e a fraude, a grande quantidade de valores recebidos, a rápida transferência do dinheiro e a incompatibilidade entre a movimentação e o cadastro do titular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O STJ entende que a responsabilidade da instituição que mantém a conta beneficiária exige demonstração de falta de diligência, não bastando apenas o fato de o dinheiro ter passado por ela.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que fazer depois do golpe?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A vítima deve comunicar imediatamente o banco, contestar todas as operações e solicitar o bloqueio dos valores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos envolvendo Pix, deve pedir a abertura do Mecanismo Especial de Devolução. Também é necessário registrar boletim de ocorrência e preservar todas as provas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso a instituição negue o pedido, a resposta administrativa não encerra a discussão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível analisar os extratos, reconstruir a sequência do golpe e identificar se o banco permitiu movimentações que destoavam do perfil normal da conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dependendo do caso, podem ser discutidos a devolução dos valores, o cancelamento de empréstimos contratados durante a fraude e outros prejuízos diretamente relacionados ao ocorrido.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A principal questão em uma fraude bancária não é apenas saber se a vítima utilizou a senha ou confirmou uma transferência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário verificar se o banco permitiu operações incompatíveis com o perfil do cliente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Valores elevados, diversos pagamentos em sequência, empréstimos seguidos de transferências, resgates repentinos e envio de dinheiro para destinatários desconhecidos são elementos que podem revelar falha nos mecanismos de segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando essa mudança de padrão é demonstrada por extratos e documentos, existe uma base concreta para questionar a negativa da instituição financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Cury &amp; Costa Advogados atua na análise e resolução de golpes bancários, fraudes por Pix, falso advogado, troca de cartão, transações fora do perfil do consumidor e empréstimos contratados durante fraudes.</p>
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